O que fazer em Yazd, o berço do zoroastrismo no Irã?

Yazd é uma cidade localizada no centro do Irã. Com cerca de 457 mil habitantes e sua cidade antiga declarada patrimônio mundial da Unesco, Yazd era sem sombra de dúvidas uma cidade importante do nosso roteiro pelos nossos dias no Irã.

Yazd

Como já mencionei nesse texto aqui sobre Lugares que são patrimônios mundiais da Unesco no Irã! Yazd não poderia ficar de fora do nosso roteiro!

“O meio do Irã”, assim se define Yazd de acordo com a sua posição geográfica. No entanto, a cidade também é conhecida por ser “a maior cidade do mundo no meio de um deserto”, um motivo de orgulho para seus habitantes. Assim é Yazd, uma das cidades mais antigas do Irã, também conhecida por ser o berço do Zoroastrismo.

A cidade é lindíssima! Sendo um vivo exemplo da típica cidade do deserto, não sendo a toa que a cidade antiga foi declarada patrimônio mundial da Unesco. A cidade também é muito conhecida pelo seu artesanato e seus tecidos. Yazd é um importante centro para os iranianos zoroastras, que têm habitado a cidade, durante muitos séculos.

Mas além do artesanato, da cidade antiga declarada patrimônio mundial da Unesco e de ser um importante centro para os zoroastras, o que mais conhecemos em Yazd?

Dakhmeh ou as famosas Torres do silêncio

A Torre do silêncio é como podemos dizer, um cemitério para os zoroastras. Sua construção é em forma de torre, pois nessa religião, considera-se os cadáveres impuros, e para não violar a sacramentalidade da terra, da água, do fogo e do ar, os zoroastras se recusavam a enterrar ou cremar um corpo.

As casas dos zoroastras responsáveis por levarem os cadáveres até o alto da Torre do silêncio.

Mas, em vez disso, construíam as famosas torres de silêncio. Então aos pés da torre existia uma pequena cidadela, onde os homens responsáveis para subir os corpos moravam, longe da sociedade claro, pois acreditava-se que eles por estarem tendo contato com os mortos e levando seus corpos lá para cima da torre estavam infectados. Então esses homens eram zoroastras fieis que acreditavam e escolhiam fazer parte dessa missão.

A torre de silêncio ao fundo.

Mas como funcionava o ritual da Torre do silêncio?

Para os zoroastras quando uma pessoa morria, ela era considerada impura, certo? Esses homens que viviam aos pés da torre, eram responsáveis por levar os corpos até la em cima. Quando chegavam, eles abriam o seus peitos para que a carne fosse devorada por abutres. Quando restavam somente os ossos, era jogado uma espécie de ácido para desfaze-los e com a água da chuva limpar a terra. Acreditava-se portanto que dessa forma, eles não estavam poluindo os quatro elementos: Terra, Ar, Fogo e Água.

Apesar de ainda haver muitos zoroastras no Irã, especialmente em Yazd esse costume não é mais praticado por lá devido as leis do Islamismo. Atualmente, a maioria dos zoroastras são cremados até morrer e suas cinzas jogadas ao mar. No entanto, esse costume de utilizar as Torres do silêncio ainda é praticado por alguns zoroastras que fugiram do Irã para a Índia.

Vista de Yazd do alto da Torre de silêncio.

 

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Mas, com certeza foi um dos lugares mais sensacionais que visitei no Irã! Ter esse contato com um costume tão antigo, embora extinto no país hoje foi para mim uma experiência engrandecedora!

O cemitério onde ficavam os corpos para serem devorados pelos abutres. Após, jogavam os ossos dentro do buraco para colocar o ácido.

Mas o que é o Zoroastrismo?

zoroastrismo é uma religião fundada na antiga Pérsia pelo profeta Zaratustra, a quem os gregos chamavam de Zoroastro. No entanto, os pontos chaves das principais doutrinas do Zoroastrismo como a crença no paraíso, a ressurreição e o juízo final viriam a influenciar o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.

Mas, quando os árabes invadiram o país, o zoroastrismo  começou a perder a sua força no Irã. Então com os altos tributos impostos pelo islamismo para a religião, muitos zoroastras se viram obrigados a deixar o Irã ou a se converter ao islamismo.

Prisão de Alexandre

A prisão de Alexandre é uma escola abobadada do século 15, localizada na cidade velha de Yazd. Mas, alguns acreditam que o edifício é conhecido como Prisão de Alexandre por causa de uma referência em um poema de Hafez.

No entanto, outra alternativa é que seu nome vem da afirmação de que foi construído por Alexandre, o Grande, como uma prisão para alguns manifestantes persas.

O complexo contém uma cova profunda, circular, revestida de tijolos, com quase 10 metros de diâmetro, que lembra um antigo calabouço.

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A cúpula da prisão de Alexandre é feita de argila crua e é decorada com trabalhos de gesso e aquarela dourada e azul.

As notáveis ​​características arquitetônicas da cúpula são rastreáveis ​​em outras cúpulas que datam do período mongol no Irã. Cada lado da torre abobadada tem quase 9 metros de comprimento e quase 18 metros de altura.

Hoje, a prisão de Alexandre é um museu. Mas o que realmente dá vida ao museu, no entanto, é a equipe de artesãos que estão à disposição para mostrar suas habilidades trabalhando nos velhos teares de madeira para demonstrar o artesanato que tornou a cidade famosa em toda a antiga Pérsia.

James Mosque

A mesquita foi originalmente construída durante o século XII. Mas, foi amplamente reconstruída entre 1324 e 1365, e é um dos edifícios do século 14 do Irã, e continua em uso até hoje, sendo um belo exemplar da arquitetura persa.

Os elegantes padrões de trabalho em tijolos e a inestimável inscrição de mosaicos com kufic angular criam um senso de beleza. No entanto, o nicho de oração principal, o que está localizado abaixo da cúpula, é decorado com mosaicos elegantes. Os dois gigantescos minaretes são da era safávida, além de serem os mais altos do Irã, medindo 52 metros de altura e 6 metros de diâmetro.

Old Town

A cidade antiga de Yazd é um labirinto de ruelas e casas de barro que foram construídas dessa forma para tentar amenizar o calorão do deserto. Há ainda espalhadas pela cidade as famosas torres de ventilação, que podem ser avistada facilmente pelos terraços e também quando se esta andando pelas ruelas da cidade antiga.

 O sistema de canais subterrâneos, que capta a água dos lençóis freáticos, está conectado com depósitos refrescados graças ao engenhoso mecanismo das torres de ventilação, funcionando mais ou menos como um tipo de ar condicionado antigo. E acreditem, é super refrescante por lá!

Além do engenhoso mecanismo das torres de ventilação, a maioria das ruelas tem muros dos dois lados! Tudo isso pra conseguir gerar sombra, e ser possível andar na rua mesmo com o solzão e calor que só o deserto consegue fazer! Genial!

Andar pelas ruas da cidade antiga de Yazd é um retorno ao passado. Um labirinto de ruelas e casas de barro que te dão a sensação de estar literalmente em outro século.

Templo do Fogo


Os zoroastras também reverenciam o fogo, embora não o adorem como deus em si. Mas, para eles os quatro elementos era de extrema importância. Então eles tradicionalmente o conservam queimando por séculos e séculos em seus templos.

Mas, como já mencionado anteriormente, Yazd é um importante centro para os zoroastras, portanto há na cidade um atash behram , ou templo do fogo no Irã. Sendo portanto nove ao todo no mundo. Um no Irã e todos os demais na Índia.

No entanto, este templo em Yazd foi concluído em 1940, mas o fogo que aqui queima foi trazido de outros lugares, e diz-se que está queimando desde o ano 470 a.C.


A visita ao Templo do Fogo é simples. Mas, estar diante daquele fogo que pode mesmo estar queimando há tantos anos foi muito interessante!

Indo embora de Yazd para Isfahan com esse por do sol no deserto 😀

E aí, qual foi o lugar em Yazd que você mais gostou e gostaria de visitar pessoalmente?

Quer saber mais sobre nossa viagem pelo Irã? Não deixe de conferir nossos vídeos em nosso canal do YouTube! 😊

Amanda Saueia

Brasileira. Contadora. Apaixonada pelo novo, livros, fotografia, música e arte. LOUCA por viagens!

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Autor: Amanda Saueia

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