Vale a pena mergulhar com os tubarões na África do Sul?

Já pensou em mergulhar em uma gaiola no meio do oceano rodeado de tubarões brancos na África do Sul? Se sua resposta foi não, pois é, eu também nunca tinha pensado, até o momento em que começamos a montar o roteiro para Cape Town. Nesse post vou contar como foi  e tentar te encorajar ou não para essa experiência.

Tubarões e a África do Sul

Se você pesquisou sobre e pensa em visitar Cape Town, já deve ter lido muito sobre tubarões brancos e a possibilidade de ataque nas praias. Mas calma! Assim como em Cape Town, vários outros lugares do mundo também oferecem esse risco, mas isso não é tão recorrente quanto aparenta. Eu confesso que estava com medo, mas quando cheguei lá, vi que muita coisa é fantasia. Então, não tenha medo! A possibilidade de acontecer esse tipo de incidente é maior com surfistas, banhistas desavisados que vão para o mar nadar em lugares mais fundos, ou ainda aquelas pessoas que mesmo sabendo, ignoram a sinalização e vão nadar em áreas de risco.

Os tubarões brancos não consideram nós humanos como parte da sua alimentação. Quando um acidente acontece é porque o tubarão provavelmente confundiu uma pessoa com um outro animal, como uma foca por exemplo, e não porque ele teve a intenção de se alimentar de um ser humano. O tubarão tem o olfato muito aguçado e nós não temos cheiro de comida para ele. Por isso, fique mais tranquilo: ataques de tubarões são na verdade bem mais incomuns do que se imagina.

Onde e quando há mais tubarões para mergulhar na África do Sul

Os passeios geralmente saem de  Gansbaai, que é uma  vila de pescadores a 162km de Cape Town onde fica concentrado a maioria das agências que operam essa aventura, sendo também considerado o melhor lugar do mundo para mergulhar nas gaiolas com os tubarões branco, estes são atraídos para a região pelas enorme quantidade de focas que se encontram lá.

A época com aparições mais frequentes dos temidos tubarões brancos é entre os meses mais frios na África do Sul, ou seja, entre maio e outubro. Contudo, há aparições em todo o ano, inclusive no verão, como foi no nosso caso, no final de dezembro.

As desvantagens de fazer este passeio no verão são duas: a primeira é o preço, por ser alta temporada, é bem mais caro e a segunda é pela chance maior de haver um número menor de tubarões na região.

Porque mergulhar com tubarões na África do Sul

Primeiro, porque como já dito, a incidência de tubarões por lá é bem grande, então a chance de vê-los no passeio é quase garantida! Segundo, porque se comparado com outros países que oferecem esse passeio, a África do Sul é um dos mais baratos, o que é muito bom, não é mesmo? Terceiro, porque é um passeio muito interessante se comparado com outros, e mais, pode se tornar mais interessante ainda se você tiver medo deles.

É seguro mergulhar com os tubarões na África do Sul? Ele pode entrar na gaiola?

Pesquisei muito antes de ir enquanto montava o roteiro, justamente porque eu tinha pavor de tubarões, e não li nenhum relato sobre incidentes com esse tipo de passeio. É tão tranquilo que até crianças podem fazer! Isso mesmo, crianças! Inclusive, em conversa com nosso guia ficamos sabendo que, nunca aconteceu nenhum incidente na empresa que escolhemos.

Antes do mergulho, foi obrigatório assinar um termo de que se conhecia os riscos da atividade, assim como concordava em participar e blá blá blá. Pelo que eu entendi, esse termo vale mais pro risco que a pessoa pode oferecer pra ela mesma, do que do tubarão ou passeio propriamente dito.

– Como assim? Não entendi.

Há riscos?

Bom, eu explico: Há um espaço delimitado dentro da gaiola para você ficar, que há barras vermelhas sinalizando onde você deve se segurar e apoiar os pés, ou seja, em nenhum momento seu braço ou perna deve ficar para fora da gaiola.

Nosso guia disse que o risco maior é de machucar as mãos, porque muita gente vê o tubarão e sente a necessidade de tocá-lo e outros de cutucar o animal com o “pau de selfie e isso realmente pode causar acidentes.

Que tipo de acidente?

Não necessariamente um tubarão vai comer o braço de alguém, mas uma batida da cauda do animal, por exemplo, pode ocasionar fraturas uma vez que os movimentos que eles fazem dentro da água são muito fortes.

Isso é tão sério que na introdução do passeio, o guia deixa claro que se alguém desrespeitar a marcação da gaiola, o passeio acaba na hora e o barco volta para o porto.

Em resumo, respeite as orientações sobre o passeio, como também as marcações da gaiola que tudo ocorrerá da melhor forma possível 🙂

Pode fazer o passeio sem mergulhar com os tubarões?

Claro! É possível ver de cima os tubarões nadando e tentando pegar as iscas jogadas da proa do barco. Se você iniciar o passeio com a certeza de que vai mergulhar, e mudar de idéia quando já estiver no barco, basta avisar o guia que não tem mais interesse em descer na gaiola, e ficar observando o movimento de cima do barco, tranquilamente.

Qual empresa escolher para fazer o seu mergulho

É comum em vários lugares de Cape Town, em especial na região de Waterfront, pessoas e agências vendendo esse passeio para os turistas, se você não reservou ou não quer reservar com antecedência, não se preocupe, pois há como contratar por lá sim.

Veja também: Como viajar com pouco dinheiro?

Reservas

Mas, eu aconselho fazer a reserva pela internet e direto com a empresa, primeiro porque você poderá pesquisar mais sobre a empresa, saber se é credenciada, ler relatos de pessoas que a contrataram, etc… e também a reserva antecipada irá garantir o dia e o horário do passeio, sem correr o risco de deixar para reservar na hora e não haver mais vaga ou ter que pagar um absurdo de última hora.

As empresas credenciadas que eu pesquisei na época, eram:

White Shark Ventures

Nós fechamos com a White Shark Ventures, porque na data que queríamos, era uma das mais baratas e das poucas que tinham disponibilidade, mesmo que com antecedência. Contratamos o passeio que custava 1.350 rands + o transporte de ida e volta de Cape Town a Gansbaai, que custou 400 Rands, totalizando 1.750 Rands = R$ 438.

Reserve o passeio diretamente com empresas da África do Sul. Este passeio reservado em agências de viagem daqui do Brasil custam o dobro do preço!

Como funciona o passeio

Eu e a Bia na White Shark Ventures tomando café e assistindo as imagens do que iria nos aguardar…

Nós reservamos o primeiro horário de mergulho às 07:00 horas da manhã. Em razão disso, a van passou para nos buscar no apartamento que estávamos hospedados às 04:30 horas, para seguirmos rumo a Gansbaai. Chegamos na sede da agência e fomos recebidos com um café da manhã bem simples: café solúvel, pão de forma, manteiga, geleia, leite, sucos e iogurte. Enquanto tomávamos o café, nosso guia colocou um vídeo e fez explicações sobre os tubarões brancos, a possibilidade de vê-los e o funcionamento basico do passeio.

O barco da White Shark Ventures

Barco em alto mar!

Em seguida, fomos para o barco e seguimos rumo a alto mar. O cheiro dentro do barco era bem ruim e forte por causa das carcaças que serviriam de isca para atrair os tubarões. Chegando ao “ponto” escolhido, percebi que haviam barcos de várias outras empresas lá. Ou seja, logo pensei que a atenção dos tubarões, caso aparecessem, seria dividida, não? E foi o que aconteceu.

O guia pediu que todos subissem para o segundo andar do barco para repassar as orientações antes do mergulho.

Eles ancoram o barco e jogam no mar uma mistura, tipo um caldo de peixe com óleo, com um cheiro podre! Um dos funcionários prende uma isca (duas enormes cabeças de peixe) em uma corda e fica jogando no mar e puxando para perto da gaiola, obviamente com o intuito de atrair os tubarões para perto do barco.

Mas nem tudo foi como a gente esperava

O primeiro ponto negativo foi a questão do ponto de parada estar rodeado de outros barcos fazendo exatamente a mesma coisa, ou seja, chamando a atenção dos tubarões. O segundo foi que o pessoal da embarcação mandou o primeiro grupo de cinco pessoas, do qual eu fazia parte, entrar na gaiola, sem sequer avistar nenhum tubarão. Ficamos lá por 15 minutos, congelando, porque a água é geladíssima, para não ver nada! Isso mesmo, n-a-d-a.

Em baixo d’água: Só peixinhos… 🙁

Saímos da gaiola e o segundo grupo entrou. Após algum tempo, ocorreu a primeira aparição, que foi se tornando mais frequente e interessante para os últimos grupos. Quando todos já tinham participado do passeio e ainda haviam tubarões na região, eu falei para o guia que não tinha visto quando estava na gaiola, se podia entrar novamente rapidão para ver.

Decepcionado por não ter visto o tubarão de perto de baixo d’água.

Posso ir de novo?

Simplesmente ele falou “NÃO, DESCULPA, ACABOU O TEMPO, NÃO POSSO FAZER NADA”. Sabe o barato que sai caro? Então, senti aí! Não custava nada para ele deixar o primeiro grupo que não viu nada entrar de novo, pelo contrário, seria um ponto positivo para eles.

Mas não, eu senti que tudo foi feito com muita má vontade e que todos, sem exceção, do grupo da White Shark Ventures, só estavam querendo terminar o passeio o mais rápido possível, sem se preocupar com a satisfação dos clientes.

Pelo menos eu consegui ver várias vezes os tubarões enquanto estava no barco, mas para mim não teve graça nenhuma, porque a essência do negócio era outra! Então pesquise bem antes de contratar sua agência, pode ter sido azar. No geral a experiência deve ter sido melhor para o último grupo que conseguiu ver o temido predador  bem de perto enquanto ainda estava na gaiola.

Os vídeos que fizemos:

Em seguida, voltamos para Gansbaai para ver as imagens que o cinegrafista da empresa havia feito.

Onde fica?

Valeu a pena?

Apesar de tudo isso que aconteceu comigo, eu recomendo o passeio pois, é muito mais seguro do que aparenta. Talvez seja o caso de apenas não ser um dos primeiros a entrar na gaiola. Espere primeiro avistarem os tubarões de cima do barco pois, caso contrário, pode ser que não deixem você entrar novamente na gaiola, a chance de vê-los de perto é maior e com certeza seu passeio vai valer a pena.

E você? Tem coragem?

**Post atualizado em 23/08/2017.

 

Rodrigo Coelho

Advogado.
Apaixonado por culturas, cheiros e sabores diferentes.
Viajante compulsivo.

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Autor: Rodrigo Coelho

Advogado.
Apaixonado por culturas, cheiros e sabores diferentes.
Viajante compulsivo.

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